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Tuesday, April 29, 2008

a pressa de respirar

re.formulo: I hope I don't choke.
































gostava que me levassem para Paris num avião de papel fumado em fluxos de vinho tinto. da forma mais cliché possível, mas ao que parece isso é demodé, como os gatos.



agradece-se a visita de uma liberdade que não esteja condicionada pelo consumo excessivo de vicios pessoais.












o som é uma merda. a qualidade de imagem 'tá uma merda aqui, isto não foi filmado sequer com a pôrra de um telemovel. depois youtubo isto. está inacabado, mas é assim que se vai fazendo algo que não se sabe bem o que é.)

Wednesday, March 26, 2008

1daquelesdiasemqueotemposefundecomoespaçodoar(queparatodososefeitos,existe)


como é que era?
foda-se, já me esqueci.
mudar de música ajuda.
hum.
não a vou espetar aqui como aquilo que é. seria demasiado óbvio para qualquer um aperceber-se do que se passa agora, aqui. depois de um cigarro à janela, que está à minha esquerda, com vista para o céu e telhado, árvores-sombra-chinesas, luzes alaranjadas dos candeeiros da rua.
os meus pés dançam, nas minhas pernas cruzadas e é inevitável descrever a vontade que tenho de saltar para o repeat. entretanto acabou.
esta talvez seja mais apropriada, emocionalmente falando, adequa-se ao precipicio. chego a sentir a vertigem. e a queda é no entanto praticamente impossível.
bah.
não quero isto.

rodopia na parte de trás da tua cabeça e esquece a ventoinha. esquece a ventoinha.
rodopia tu, sem o tecto habitual.

espera, espera, eu não queria dizer isto.

vamos pôr z. a falar. z., não. não me enganei.
y.
z.
x.
t.
f.
tanto faz, é a voz incógnita, só não é um número porque
porque
me
esqueci entretanto que há uma abóbada cheiinha de clouds.
tirar a pele.
entende ao som de.










o problema de teres as nódoas negras ou de viveres sem noção de propriedade privada é quando tentas privatizar o que quer que seja. o outro dizia bem, é uma maluca.

pessoas.

que sujidade.



complicamos tudo, apesar de não ser primitivo.
hum.

isto está tudo muito errado, porque não era isto que queria escrever.
que se foda.

[a propósito, porque raio são as saudades um sentimento português ? que cena mais idiota e angustiante. ]


- ah! era isto!

salta da pele que já vestiste!

[ minutos, segundos, uma hora depois, o amor toca ao telefone. derretes e esqueces a eletricidade dos relampagos momentâneos. embriagada neste sentimento,sorriso e alma.

Tuesday, March 25, 2008

afolhinha.

l(a
le
af
fa
ll
s)
one
l
iness







e.e.cummings


tenho pensado acerca da inebriação divina.
é só.

Saturday, February 23, 2008

domingo. não me peças mais que um domingo.


um semi-sorriso à janela.

a mão vai dizendo adeus, naquele movimento que ninguém sabe de cor.
o pano de fundo é cinzento. esta chuva anda a dar-me dores de cabeça e eu não sei se aguento durante muito mais tempo.
vim o caminho todo a assobiar na rua e a esquecer que a calçada estava enlameada. gostava de ter vontade de usar luvas. ou cachecol. ou um gorro.
dispo o casaco e esqueco-me de parar para comprar tabaco.
-o tabaco está caro.
a vida está cara. os hábitos estão caros. a fruta está cara. o sexo está caro. o sorriso está caro. o cházinho vai ter que ficar por se beber. a água está cara. e olha, a das lágrimas também não pode ser de graça.
quando me esqueci de etiquetar o dia, o dia correu melhor.
quando abri o riso, foi humilhante.
uma pessoa esquece-se porque se está a rir, mas vai rindo na mesma. " ninguém pode estar infeliz o tempo todo" . essa foi a maior treta que já ouvi alguém dizer.
olha, achas que quando eu cair no chão vai fazer muito barulho?
achas que vou acordar os gatos que dormem no cesto da velha dos cortinados rendados?
achas que o pica do autocarro vai parar antes de recolher o passe à rapariga dos olhos azuis?
achas que o rapaz vai parar de tocar o clarinete?
achas que a menina vai parar de acabar os trabalhos de casa? as contas de multiplicar? as contas de dividir?
achas que se vai ouvir?
achas que se vai ouvir?
a rapariga dos olhos sorridentes diz que eu só digo disparates. a dos olhos tristes não tem falado comigo. elas são a mesma e só uma é que me acena do outro lado. não me olha nos olhos e tem medo do escuro.

o peso do Universo sacode-me para dentro de um pedaço de cartão. fico no meio dos furos. coseram-lhe um coração com lã vermelha.
acho que foi a minha prima que fez isso.
ela agarrava-se a mim e pedia-me histórias.
e eu contava.
ela agora toca piano e canta em italiano num coro, ballet, natação, equitação.
já não tem tempo para essas coisas quando me vê.

sabes, sinto-me velha. pus-me a sentir velha e amargurada. e é muito estupido passar os dias nesta solidão. tudo isto devia ser mais anormal, ou menos contagioso. "Catarina, tens que fazer um esforço." mas eu nem acredito nisso.
ontem o rapaz gato dos desenhos animados venceu a escuridão e acabou numa nave feita de conchas, na paz total do verão. da areia. do mar. do calor que tosta a pele. dos dias sem doenças.
tenho muitas saudades de nadar.
há qualquer coisa que nos liga ao mar. deve ser da infância desaparecida.

dói-me a cabeça.
e esperam que eu vá estudar.
tenho exame segunda-feira.

depois cortarei batatas e serei uma boa rapariga à mesa de jantar com os amigos dos meus pais.
cravo um cigarro e um filme qualquer. espero não sonhar com a sereia careca que está no carrinho de bébé, tapada com um lençol enquanto o meu pai bebe whiskey e baileys na cama e o meu professor de direito escreve uma lição de moral numa parede de um prédio.
calma, amanhã há mais.

amanhã.
há.
mais.

foda-se.









estou cansada de me lembrar dos meus sonhos.

Sunday, February 10, 2008





que me engula o compasso,

o tempo,

o que quiser,

mas que não dance na minha campa mascarado de outra coisa qualquer,

depois de me matar à queima-roupa.

já não sei o que quero dizer.

então cala-te e escuta o que não te dói.

Saturday, February 9, 2008

o meu cabelo tem vindo a crescer.

todos os dias me pergunto se é tempo de pegar na tesoura e de o cortar.

é uma filhice de putice pensar-se nisso assim.







estou num sabe-se lá semi-profundo.
espero que isto não acabe num esgotamento nervoso, ou coisa que (v)o(s) valha.
-C. é o quê?
-é Dó.
-C. é Dó.?
(risos)
tenho segredos.mas não os vou vender.

Wednesday, February 6, 2008

i



passeava pelo reflexo dos olhos.
e ficava-se por ali.



os passos do meu passado,
vão-se cruzando, de tempos a tempos,
com as minhas pegadas quotidianas.
abraço o que conheci
para poder entender
o que aí vem.
e fico-me com o amador
que não conhece
a sua dualidade,
mas que me vai amando,
no amanhecer,
para lá do tempo.

achava
eu

mas eu é que
sou
o que não sei
ser.

tenho saudades de (te a)mar
no espaço que fica entre os teus olhos
e os teus pés,
sem que a fala nos atrapalhe.
e só se ouça o burburinho
(do bater do coração -
e olha,
que o relógio não me coma os minutos até ti.)

Monday, February 4, 2008

bom dia, vou dormir.

não foi este o dia que eu vi nascer.

o que sente, é o infinito a esborratar a cor dentro das paredes.a savana ficou atrás da memória, escondeu-se no espaço que se cria, individualmente do espaço que o tempo criou. procura verde. azul céu. a nuvem pode ficar cor-de-rosa, por favor.tem um sorriso incandescente, ás vezes, para quem lhe papa as manhas todas, guarda outro sorriso, mais luminoso, no bolso que não é só seu. aí não há manhas. fora com as cartas dos baralhos.aqui jogam com dados.rebolam pintas pretas em cubos brancos.no tapete de relva, ficam sons de cantigas entre amigos. cancioneiro é o que o medo nunca trouxe. há que desafinar uns com os outros, enquanto o dia nasce. que me entretenha o sono num colchão.
já não sei como acordei.

não foi este o dia que eu vi nacer.
mas ele fica aqui. parado, enquanto avança, a ser o que é.eu vou-me enfiar debaixo de água.e dormir.

boas noites.

amanhã não há domingo.

Sunday, December 2, 2007

tonta.


Como a vida sem caderneta
como a folha lisa da janela
como a cadela violeta
- ou a violenta cadela?

Como o estar egípcio emudado
no salão do navio de espelhos
como o nunca ter embarcado
ou só ter embarcado com velhos

Como o ter-te procurado tanto
que haja qualquer coisa quebrada
como percorrer uma estrada
com memórias a cada canto

Como os lábios prendem o corpo
como o corpo prende a tua mão
como se o nosso louco amor louco
estivesse cheio de razão

E como se a vida fosse o foco
de um baço, lento projector
e nós dois ainda fôssemos pouco
para uma tempestade de cor

Um ao outro nos fôssemos pouco
meu amor meu amor meu amor

Mário Cesariny de Vasconcelos - Como a vida sem caderneta.


Saturday, November 17, 2007

a.l.a.l.i.a.

esqueci-me de falar na minha mala vermelha.
pesada.
vermelha.
andava a carregar bocados de minha casa para outras casas e levava a mala atrás, sempre com a vontade de que o Alice não se escapasse. o Alice é um gato loiro. tem bolas e parece uma gata.
ronrona quando me quer devorar.
os meus sonhos andam confusos. como era suposto. exactamente como era suposto.
descruzo os braços e tento apanhar um mosquito com os dentes.
que aborrecimento.
-olha, é uma maçada teres que fechar a porta à chave sem teres sequer uma fechadura na porta.
nesta casa trancamos as portas com pegas. daquelas que se usam para tirar bolos do forno. a pega fica presa na maçaneta, dobrada entre a ombreira e a porta.
a pega é uma tranca.
a tranca não é nada, porque nunca vi nenhuma.
sento-me no chão, atrás da porta, a imaginar como seria seres tu sem ser eu.
um dia fizeste-me ficar 30 segundos sem saber o que estava a fazer com os punhos na ombreira da porta.
ordenaste.
e eu depois abri os braços e estava a senti-los a voar.
ontem percebi que não gosto de sítios sem mim.
hoje estou entre a vontade de ir ou ficar.
estou com vontade de nada.
de ficar pequenina no meu tecto e dizer adeus às pessoas.
de sorrir muito enquanto choro e outras patetices.

que é que comi para ser assim?
qual é a caixa que se abre e espreita para mim com cara de parva?

em que reflexo do espelho me escondi? as caras que reconheço transformam-se e eu já não me vejo como antes. as caras que escolhia já não me aparecem. tomaram conta de mim. dominaram-me. mataram-me a carne.
entretanto violo o meu olho direito com rímel. enquanto o direito chora.

hoje em dia as meninas comem baton como se fosse algo muito saboroso. a pasta vermelha que se vai acumular nas paredes do estomago come-lhes a carne também.
e eu como, com as duas mãos, batatinhas e coentros.
as unhas enfiam-se debaixo da pele. rapariga, vai ouvir outra coisa e mudar o teu discurso.
e a vozinha diz baixinho : - you're totally right!
: -

não tem boca!











eu não falo.

Wednesday, November 14, 2007

don't let the darkness eat you up.

"eu acho que vai correr tudo bem."

- eu também.

Tuesday, October 23, 2007

caí aqui.

"e largado a pensar-te
sigo os teus lábios
esgotaram-se os sonhos
em que nos viciámos
e é porque eu me engano mesmo sobre tudo
que te chamo e te espero
tenho vindo a acompanhar-me
quase desde sempre
mas não de tão perto
que saiba do que é que me lembro
estive a ler as tuas cartas
e venho entregar-me
faz de mim o que quiseres
que eu estou exausto"

Thursday, October 11, 2007

acto isolado? oh well "I ate the lotus".

(a cara é de parva. os olhos estão tortos.
mas ao que parece quis mesmo que me tirassem o raio da foto.
e ao que parece é só o que é. tirando a cruz suástica ao lado. nada contra. nada a favor, também.)









[ eu não ia voltar aqui, até ter tido vontade. (o sr. Stipe e a Marta também foram uma ajuda.) ]

450 luzes vêm e vão. sempre com a mesma rapidez e intensidade. Não ofuscam porque são pontuais. ao contrário dos ponteiros do relógio que conheço. (In)felizmente andam ao contrário. e eu nunca me habituei a ver as horas a passar. mas elas queimam-me os cigarros todos e gelam-me as costas. os azulejos da cozinha são um pouco frios. ou é só por estar descalça. e as minhas asas não aquecem muito.

- Dentro da minha manga. Dentro da minha manga já não existem truques nenhuns.

Olha, vai mais um sorriso para a minha colecção. olha, olha! os actos são tão isolados que mais ninguém os vê. e quem é que não é um? Quanto de ti partilhaste com o mundo realmente e quantas vezes te pisaram ou disfarçaram o embaraço com um sorriso?

paranóias. paranóias. paranóias. paranóias.

Ando com vontade de beber limonada e de estender os pés ao sol. de comer maçãs e esquecer-me de voltar para casa. vontade de me levantar do lugar quadrado e ver de que cores ainda se consegue pintar o céu.

- A Eurodisney é assim tão longe?

Risos.

Ainda me rio sozinha. Sempre achei meio idiota. é em segredo. Mas mais vale rir assim sozinha que em lado nenhum com pessoa alguma.

Quantas vezes o riso nos transportou ao silêncio? Quem é que me responde ao que não sabe?

Recuso-me a acreditar que não passa de um sonho e que os sonhos se estendem pelos passos que damos.

Eu acredito nos idiotas todos.

Mas eu ando a comer flores.

Desde sempre.

(só agora é que dei conta do sabor e do cheiro.)

Sunday, September 9, 2007

mamã

o que mais me apetecia hoje era ir afogar a dor no abraço de alguém que não existe.


preferia um estalo a palavras.
não matava e morria logo no fim do som.

Monday, September 3, 2007

b

nada disto faz muito sentido no sentido que nós decidimos dar as coisas, pois não?


-bestial*, então...


* post-it mental: pode-se ler bestial como se fosse "groovy". mas não. é bestial.

Friday, August 24, 2007

"e eu que falava de estradas e só conhecia atalhos."






quando o olhar se reflecte na noite calma e se imaginam janelas abertas ao mundo nos pontos azuis
tornamo-nos tão claros.


(depernascruzadasedebraçosabertos,portanto.)

Thursday, August 23, 2007

!

flor de mel, flor de mel à flor da pele...

feliz por ter olhos com sono e sorriso. feliz com razão e sem razão. e assim sem saber o que dizer. não bof. não bof mesmo.

flor de mel, flor de mel à flor da pele...

(ah! parabéns ao Amadeus Morte.)

Saturday, August 18, 2007

eh pah!




No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão...

No bairro do amor há
quem pergunte a sorrir:
-Será que ainda cá estamos no fim do Verão?


Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah! é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem...

No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar

O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis nem hospitais
No bairro do amor
cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah!
é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem...






(há coisas que falam por si mesmas e ainda tenho a lingua queimada do pão quente de ontem.)